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maio 31, 2026
Renascimento de Gounod no Met: Uma Montagem de “Roméo et Juliette” com Elenco dos Sonhos
O Metropolitan Opera House, em Lincoln Center, Nova York, viveu uma noite memorável em 19 de março de 2024. A casa de ópera reviveu a produção de “Roméo et Juliette” de Charles Gounod, assinada por Bartlett Sher, logo após o sucesso de sua nova montagem de “La Forza del Destino”. O resultado? Dois acertos consecutivos que reafirmam a força da temporada do Met.
Se “Forza” é uma obra reconhecidamente problemática – com suas constantes mudanças de cena e locação –, “Roméo et Juliette” parece encontrar em Sher uma direção que equilibra tradição e inovação. A produção, que estreou originalmente em 1967, ganha novos ares com um elenco que parece ter sido desenhado pelos deuses da ópera.
Um Elenco que Encanta
O grande trunfo desta revival é, sem dúvida, o casting. Os protagonistas trazem uma química rara ao palco, algo essencial para uma história de amor tão intensa quanto a de Shakespeare. A soprano que interpreta Julieta não apenas domina as árias mais desafiadoras de Gounod, mas também entrega uma atuação comovente, cheia de nuances. Já o tenor no papel de Romeu combina potência vocal com uma ternura que faz o público suspirar.
O suporte do coro e dos comprimários também merece destaque. Cada personagem, de Mercúcio ao Frei Lourenço, ganha vida própria, evitando que a trama se torne um mero desfile de vocalizes. A direção musical, precisa e emocionante, conduz a orquestra com mão firme, extraindo toda a dramaticidade da partitura de Gounod.
A Direção de Bartlett Sher
Bartlett Sher é conhecido por suas produções que respeitam o espírito original das obras, mas sem medo de inserir toques contemporâneos. Em “Roméo et Juliette”, ele consegue criar uma atmosfera que transita entre o sonho e a realidade, entre a paixão juvenil e a tragédia inevitável. Os cenários, embora grandiosos, não sufocam a ação; ao contrário, servem como moldura para que os sentimentos dos personagens brilhem.
A iluminação e o figurino também merecem aplausos. As cores vibrantes de Verona contrastam com a escuridão do destino, criando uma linguagem visual que dialoga diretamente com a música. É um espetáculo que agrada tanto aos puristas quanto aos novatos na ópera.
Gounod e a Magia de Shakespeare
Charles Gounod, compositor francês do século XIX, sempre teve um talento especial para adaptar grandes obras literárias. Sua “Romeu e Julieta” não é uma exceção. A ópera captura a essência do drama shakespeariano, transformando-o em música de uma beleza arrebatadora. Árias como “Je veux vivre” e o dueto final são momentos de puro êxtase musical.
A produção do Met consegue equilibrar a leveza dos momentos românticos com a tensão das cenas de conflito. A famosa cena do balcão, por exemplo, é um exercício de delicadeza e paixão. Já o final trágico, no túmulo dos Capuleto, é de partir o coração.
Por Que Esta Produção é Imperdível
Se você está em Nova York ou planeja uma visita, esta montagem de “Roméo et Juliette” é um programa obrigatório. Não se trata apenas de ouvir boas vozes; trata-se de testemunhar uma obra-prima sendo interpretada por artistas no auge de suas capacidades. A produção de Bartlett Sher prova que o Met continua sendo um dos templos máximos da ópera mundial.
A temporada do Met em 2024 tem sido marcada por riscos e acertos. Com “Forza” e “Roméo et Juliette”, a casa mostra que sabe apostar em repertórios variados e em direções cênicas de qualidade. Para os amantes da música clássica, é um presente. Para quem está descobrindo a ópera, é a porta de entrada perfeita.
Conclusão
Em um mundo onde a arte muitas vezes luta por espaço, ver uma produção como esta renascer no Metropolitan Opera é revigorante. “Roméo et Juliette” de Gounod, sob a batuta de Sher e com um elenco estelar, não é apenas uma noite de ópera; é uma celebração da capacidade humana de criar beleza a partir da dor, de transformar a tragédia em música eterna. Se você puder, não perca. O Met está, mais uma vez, no centro do palco.