jun 11, 2026
Renascimento de Gounod no Met: Uma Produção Icônica com Elenco dos Sonhos
O Metropolitan Opera House, em Lincoln Center, Nova York, está vivendo um momento de ouro. Após a estreia de sua nova produção de La forza del destino, a casa apresentou a revival da produção de Bartlett Sher para Roméo et Juliette, de Charles Gounod. O resultado são dois sucessos consecutivos que estão dando o que falar na temporada.
Um Clássico que Nunca Sai de Moda
A ópera de Gounod, baseada na tragédia shakespeariana, é um dos pilares do repertório francês. A produção de Bartlett Sher, que estreou em 2016, já é considerada um clássico moderno. Com cenários que evocam a Verona renascentista e figurinos deslumbrantes, a montagem captura tanto a paixão jovem dos amantes quanto a violência do conflito entre as famílias Montecchio e Capuleto.
O que torna esta revival particularmente especial é o elenco. A escolha dos cantores foi precisa e cada papel parece ter sido feito sob medida para os artistas escalados. A química entre os protagonistas é palpável, algo essencial para uma obra que depende tanto da credibilidade do romance trágico.
O Poder do Elenco
No papel de Roméo, o tenor demonstrou não apenas a agilidade vocal necessária para as árias mais conhecidas, como “Ah! lève-toi, soleil!”, mas também uma vulnerabilidade emocional que torna o personagem humano. Sua Juliette, por sua vez, combinou a pureza vocal exigida pelo papel com uma profundidade dramática que vai além do estereótipo da jovem ingênua.
O dueto final, um dos momentos mais aguardados da ópera, foi executado com uma entrega que fez o público prender a respiração. A direção de Sher permite que os cantores explorem o espaço cênico de forma orgânica, criando momentos de intimidade mesmo em meio ao espetáculo grandioso.
A Orquestra e a Regência
Um dos grandes trunfos desta revival é o trabalho do maestro. A partitura de Gounod exige um equilíbrio delicado entre a orquestração rica e o suporte aos cantores. O regente conseguiu extrair da orquestra do Met uma sonoridade que é ao mesmo tempo luxuriante e precisa. Os momentos de dança, como a famosa Valsa de Juliette, foram executados com leveza, enquanto as cenas de conflito ganharam peso dramático.
Vale destacar o trabalho dos metais e das madeiras, que têm momentos de destaque ao longo da ópera. A cena do balcão, por exemplo, foi emoldurada por um acompanhamento orquestral de rara beleza.
O Contexto da Temporada
O Met está passando por uma fase de reafirmação de seu papel como uma das casas de ópera mais importantes do mundo. A decisão de montar Roméo et Juliette logo após La forza del destino mostra uma curadoria inteligente que oferece contrastes ao público. Enquanto a ópera de Verdi é épica e cheia de reviravoltas, a de Gounod é mais intimista e lírica.
Esta revival também demonstra a força do repertório francês no Met. Embora as óperas italianas e alemãs dominem o calendário, obras como Roméo et Juliette provam que o público responde com entusiasmo quando a produção é bem cuidada.
Por Que Vale a Pena Ver
Se você é fã de ópera, esta é uma oportunidade imperdível. A produção de Bartlett Sher é visualmente deslumbrante, o elenco está em estado de graça e a orquestra soa magnificamente. Mesmo quem conhece a história de Romeu e Julieta de cor encontrará novos significados nesta interpretação.
A direção de Sher evita os clichês e busca uma abordagem que respeita a tradição, mas sem ser antiquada. Os cenários de Michael Yeargan criam uma atmosfera que transporta o espectador para a Itália do século XVI, enquanto a iluminação de Jennifer Tipton adiciona camadas de emoção a cada cena.
Conclusão
O Metropolitan Opera House acertou em cheio ao reviver esta produção de Roméo et Juliette. Com um elenco ideal e uma direção musical inspirada, a montagem honra o legado de Gounod e oferece ao público uma experiência teatral completa. Se você estiver em Nova York ou planejando uma visita, não perca a chance de assistir a esta ópera. É um lembrete poderoso de por que a música clássica e a ópera continuam a emocionar plateias século após século.