fev 25, 2026

Semiramide de Rossini: Um Colosso Operístico em Sua Última Ópera Italiana

Semiramide: O Último e Majestoso Suspiro Italiano de Rossini

Entre as muitas obras-primas de Gioachino Rossini, Semiramide ocupa um lugar especial e monumental. Esta não é apenas mais uma ópera em seu vasto catálogo; é a sua 34ª e última ópera escrita em italiano, um verdadeiro colosso que encerra uma era. Após sua conclusão, Rossini praticamente se aposentou do teatro lírico, tornando Semiramide um testamento final e grandioso de seu gênio no formato que o consagrou.

A grandiosidade da obra é sentida desde a primeira nota. Estamos diante de uma jornada musical de quase quatro horas, uma escala épica que poucas óperas do repertório ousam atingir. A estrutura é imponente: uma abertura de dez minutos dá o tom, seguida por uma introdução de múltiplas partes que se estende por impressionantes 25 minutos. Cada ato é coroado com finais longos e complexos, verdadeiras maratonas de canto e orquestração que exigem fôlego total dos intérpretes.

A Arquitetura de um Gigante Musical

O esqueleto de Semiramide é construído com peças de grande fôlego. A obra apresenta seis árias de múltiplas seções, incluindo uma rara e fascinante “cena de loucura” escrita para uma voz de baixo. Além disso, a trama dramática se desenrola através de quatro duetos e um trio, momentos de intensa interação vocal que Rossini dominava como poucos.

O que talvez seja mais intrigante para o ouvinte moderno é a combinação peculiar de elementos que Rossini tece nesta partitura. Há uma fusão deliberada entre o ascético e o opulento, entre a contenção clássica e o excesso romântico que começava a surgir. É como se o compositor, no ápice de sua carreira italiana, decidisse comprimir toda a sua sabedoria teatral, toda a sua invenção melódica e todo o seu domínio da forma em uma única e última declaração.

Um Legado de Beleza e Desafio

Encenar ou gravar Semiramide é um empreendimento heroico. Exige não apenas uma orquestra e um coro de primeira linha, mas um elenco de cantores com técnica ferro, resistência física e profunda inteligência musical para navegar suas extensões vocais. Os papéis principais, especialmente o da rainha Semiramis e do general Arsace, estão entre os mais desafiadores já escritos por Rossini.

Mais do que um simples espetáculo, Semiramide é uma experiência total. É uma imersão em um mundo de paixões extremas, intrigas palacianas e uma música de beleza avassaladora. Para o amante da ópera, conhecer esta obra é entender a altura que o gênero atingiu no crepúsculo da carreira italiana de seu maior mestre do bel canto. É o canto do cisne de uma era, executado com toda a pompa e circunstância que apenas um gênio como Rossini poderia conceber.

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