ago 29, 2026
Elim Chan conduz a New York Philharmonic em Koide, Saint-Saëns e Prokofiev no Lincoln Center
Na noite de 27 de maio de 2026, o David Geffen Hall, no Lincoln Center de Nova York, recebeu uma apresentação que combinou momento histórico, repertório desafiador e uma regente em plena ascensão. Elim Chan, convidada da New York Philharmonic, dirigiu um programa construído em torno de três nomes muito diferentes: Koide, Saint-Saëns e Prokofiev. Mais do que um simples alinhamento de obras, o concerto propôs um percurso sonoro que atravessou a elegância francesa, a vitalidade rítmica do modernismo e a curiosidade por um compositor que convida a uma escuta mais atenta.
Para o público local, a noite tinha ainda outro peso: a presença de Chan como regente convidada pouco depois de sua nomeação como maestrina da San Francisco Symphony. A informação soou como um marco, especialmente por ela ser descrita como a primeira mulher a assumir a regência de uma grande orquestra sinfônica americana. A frase, no entanto, pede nuance. Marin Alsop e JoAnn Falletta também ocupam posições de enorme destaque no cenário orquestral dos Estados Unidos, e qualquer hierarquia sobre o que significa uma orquestra “maior” ou “menor” envolve tanto história quanto percepção. Ainda assim, o momento é inegável: uma regente de carreira em construção aparece em uma das principais plataformas do país, com um programa que testa coragem, técnica e sensibilidade.
Um programa de contrastes
O repertório escolhido para o concerto não buscou conforto. Ao colocar Koide, Saint-Saëns e Prokofiev na mesma noite, a programação criou um contraste tanto estético quanto histórico. Saint-Saëns e Prokofiev são nomes já consolidados no repertório sinfônico, mas pertencem a universos distintos. Saint-Saëns representa a clareza francesa, o brilho orquestral e uma relação direta com a tradição romântica; Prokofiev, por sua vez, traz ritmo, ironia, neoclassicismo e uma energia que muitas vezes parece quase cinematográfica antes mesmo de a palavra existir como referência estética.
Koide, por sua vez, ocupa um espaço mais delicado para o ouvinte médio. Tratar seu nome ao lado de dois gigantes da tradição ocidental não é apenas uma questão de coragem programática, mas de proposta de escuta. Quando um compositor menos conhecido no repertório regular aparece em um palco como o David Geffen Hall, ele ganha a chance de ser ouvido com atenção, e não apenas como item de curiosidade. É nesse ponto que a regência se torna decisiva: o maestro ou a maestrina precisa traduzir intenção, clareza e dramaturgia sem depender apenas do nome no programa.
Koide: a escuta como descoberta
Na apresentação, o segmento de Koide funcionou como um convite à surpresa. Não se trata de um nome que o público costuma reconhecer de imediato, mas é exatamente por isso que sua presença pode ampliar o repertório. A obra trouxe texturas delicadas, desenho melódico cuidadoso e uma escrita que pede transparência orquestral. Para uma plateia acostumada a reconhecer de ouvido temas de Saint-Saëns ou Prokofiev, essa parte do programa exigiu mais presença. E, nesse sentido, a regência de Chan mostrou que o objetivo não era apenas executar notas, mas conduzir a atenção da sala para um universo que talvez não estivesse no radar.
Saint-Saëns: elegância e cor orquestral
Já Saint-Saëns ofereceu um respiro de reconhecimento e brilho. A música francesa do final do século XIX e início do XX é frequentemente associada a uma elegância quase aristocrática, mas também a uma capacidade extraordinária de colorir a orquestra. No David Geffen Hall, essa característica ficou evidente: os metais podem soar nobres, as cordas sedosas, os madeiras precisos e o conjunto luminoso. Saint-Saëns é um compositor que recompensa a regência quando cada frase tem intenção. A presença da New York Philharmonic nesse repertório é particularmente interessante porque a orquestra, com sua tradição nova-iorquina, costuma dar peso e presença à escrita francesa sem perder a fluidez.
Prokofiev: ritmo, ironia e modernidade
Prokofiev trouxe o elemento de tensão ao programa. Sua música pode ser ao mesmo tempo graciosa e afiada, dança e provocação, clareza e modernidade. Seus ritmos são contagiantes, sua harmonia muitas vezes inesperada, e suas linhas melódicas podem passar do jogo à ameaça em poucos compassos. Em uma sala como o David Geffen Hall, Prokofiev exige precisão e nervo. A
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